Hoje falamos sobre Parentalidade Consciente

Há algum tempo que quero falar-vos sobre parentalidade. Fiquei muito contente a primeira vez que ouvi falar de Parentalidade Consciente certificada em Viseu, entre os meses de Setembro e Novembro de 2017, teve lugar o 1° ciclo de workshops de Parentalidade Consciente, e sem pensar duas vezes fiz inscrição e participei.

Gostei muito! como mãe e como profissional que trabalha diariamente no apoio familiar. Trabalhamos temas como autoestima na criança, comunicação, mindfulness, necessidades emocionais, educação. . .

Hoje conversamos com a facilitadora dos workshops, Susete Matias, numa entrevista sobre aspectos básicos, o que é e o que não é a Parentalidade Consciente, desejo que gostem!

Laura Orion(LO): Quem é Susete Matias e como chegou a Parentalidade Consciente (PC) á sua vida?
 
Susete Matias(SM): Sou psicóloga  e mãe de Carminho. O interesse pelo desenvolvimento infantil e pelas questões da Parentalidade surgem quando na  minha experiência profissional comecei a encontrar muitas crianças que apresentavam problemas comportamentais e/ou sofrimento psicológico como consequência do tipo de interacções que os adultos estabeleciam. E foi a vontade de prevenir estas situações que me levou a seguir a área da parentalidade. Hoje sei que o meu  propósito de vida é  ajudar os pais a criar relações fortes e saudáveis com os seus filhos para que, amanhã, estes sejam adultos confiantes e resilientes.
 
 
Em 2017, certifiquei-me como Facilitadora de Parentalidade Consciente pela Academia de Parentalidade Consciente e frequentei a Certificação Internacional de Coaching.
Actualmente desenvolvo a minha actividade profissional enquanto psicóloga num Agrupamento de Centros de Saúde. Fui durante 6 anos coordenadora de uma Equipa Local de Intervenção Precoce.
Recentemente criei um projeto ligado à área da Parentalidade que presta dois serviços: workshop e sessões de acompanhamento para pais e que tem como objetivo ajudar os pais, educadores, avós… a “Educar crianças felizes”
 
 LO: Se tivesses de definir a PC em 3 palavras, quais seriam?
 
SM: Igual-valor, conexão e presença plena
 

LO: Qual é a diferença essencial entre a PC e outros tipos de parentalidade?

SM: Na parentalidade consciente, os pais e educadores procuram entender os comportamentos das crianças, isto é, procuram perceber quais são as necessidades emocionais por detrás dos comportamentos mais desafiantes e agem de modo a satisfazer essas necessidade para que o comportamento deixe de ser necessário para comunicar o que têm que comunicar.   Noutros tipos de parentalidade o foco é corrigir o comportamento e para isso são utilizadas técnicas como por exemplo, as recompensas, os castigos, “time out” entre outros.
 
Na PC procura-se criar relações fortes e  saudáveis baseadas na autenticidade e no respeito pela integridade da criança (pelas suas emoções, opiniões, desejos, necessidades) e no igual-valor. Quando praticamos o igual-valor não há uma hierarquia – “eu mando e tu obedeces” ou “eu é que sei o que é melhor para ti” . A criança é tratada  e vista com  igual-valor. Significa que aquilo que a criança sente, pensa, deseja tem o mesmo valor que aquilo que o adulto pensa, sente ou deseja, sem que necessariamente tenha que  se permitir tudo à criança. Enquanto mãe, eu posso compreender e aceitar que a minha filha tem vontade de comer um doce, sem que para isso tenha que satisfazer a sua vontade. Apenas reconheço o direito que ela tem de ter esse desejo.
 
LO: O que é que a PC diz dos limites e o respeito? 
 
SM: Na PC não se impõe limites. Os limites são comunicados de forma clara, autêntica e respeitadora e acredita-se que quando assim acontece  a criança mostra-se mais colaborante, afinal conhece os limites específicos do adulto e isso transmite-lhe a segurança de que precisa.
Relativamente ao respeito. Só há uma forma de ensinar uma criança a respeitar ,  que é respeitando-a.  Quando a criança sente que as suas emoções, necessidades, limites e opiniões são respeitados aprende a respeitar os dos outros.
Obrigada Susete!

 

Laura Orion, Psicóloga, Assessora de Amamentação e Babywearing na Amamenta Viseu

Laura Orion

 

 

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